segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Festa de Natal

Decorreu na passada quinta-feira, dia 17 de Dezembro, na sede de Villanueva de la Serena a tradicional Festa de Natal. Uma actividade que ano após ano tem vindo a revelar-se como uma das mais atraentes para professores, alunos e demais elementos da comunidade educativa.
Este ano, contou-se com a novidade do concurso de postais e ainda com a degustação de bolos típicos da quadra natalícia elaborados por alunos e professores. Já no apartado vilhancicos, apesar deste ano não haver propriamente concurso, ficou patente - mais uma vez - o entusiasmo dos alunos de português no momento da interpretação da sua música de Natal o que lhes valeu o clamoroso reconheciemnto de todos os presentes. PARABÉNS!
Note-se ainda, que a Festa de Natal será realizada também nas instalações de Don Benito já na próxima segunda-feira, dia 21 de Dezembro, a partir das 18h00.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

2ºA - Mar Português

1. Leia o poema com atenção.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu
.

Fernando Pessoa in Mensagem

2. Comente todos e cada um dos versos apontando para o seu significado e as suas implicações com tudo o que diz respeito à poesia pessoana. Não esqueça as conotações ocultistas, o mito sebastianista, as profecias do Bandarra nem Os Lusíadas pois é aqui que reside grande parte de toda a simbologia referida no poema.

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1ºI - Gonçalo Annes Bandarra

1. Leia o texto com atenção.
Em Trancoso nasceu este homem simples, num ano qualquer da graça de Nosso Senhor, presumindo-se nos inícios do séc. XVI ou mesmo em 1500. De seu nome Gonçalo Anes, Bandarra por alcunha, não era sujeito despido de letras e teria nascido em berço rico ou provavelmente remediado. Perdida a fortuna em ignotas empreitadas (de que a alcunha é evidência), para acudir à sua pobreza tomou o ofício de sapateiro de correia, o que quer dizer que fabricava calçado e o remendava quando solicitado. Da figura deste “Nostradamus” português, possuímos uma gravura do séc. XVII, publicada na primeira edição de 1603, desenhada por autor desconhecido para o rosto da primeira edição levada ao prelo por D. João de Castro. Conhece-se a assinatura do profeta nos autos do Santo Ofício e por esta finada instituição de martírio todos os passos do sapateiro entre 1538 e 1541.
E em 1531, já conhecido como áugure e poeta, surgiu em Lisboa, onde se aboletou em casa de um livreiro judeu, de nome João de Bilbis. Nessa passagem a sua fama ia adquirindo perplexidades entre os judeus ou cristãos-novos. Seis anos depois, o manuscrito foi copiado por Heitor Lopes, tosador em Trancoso. No ano de 1538, de novo em Lisboa, as cópias surgiam já por toda a parte. Na capital, a população judaica alvoroçava-se com a vinda do Messias e, à sua maneira, interpretava as coplas do profeta. A obra tornou-se um deslumbramento e um alvoroço se formou no País, de tal modo que desencantou os ouvidos, sempre atentos, da Inquisição e ia tornar-se uma dor de cabeça para o autor. Acusavam-no, entre outras coisas, de “ser amigo de novidades e com elas causar alvoroço em cristãos-novos”.
Assim foi que um tal Afonso de Medina, comissário do Santo Ofício, achou que as profecias alvoroçavam muita gente. Em consequência, Bandarra foi preso em Trancoso e remetido para as casas do despacho da Santa Inquisição, em Lisboa, onde ficou encarcerado. Durante o processo e os interrogatórios não ficou provada a ascendência judaica do sapateiro profeta (e porventura não a teria mesmo). Entrou, pois, como era de etiqueta, na procissão de um auto de fé, celebrado em Lisboa nos paços reais da Ribeira, a 23 de Outubro de 1541.
No auto que lhe foi lido, estando ele a penitenciar-se em pé com círio amarelo em punho, a determinado passo ficou a proibição: “que daqui por diante se não entremeta mais a responder nem escrever em nenhuma cousa da Sagrada Escritura, nem tenha nenhuns livros da mesma...”
Com a sua veia profética, Bandarra não conseguiu receber, para além de uma boa carga de dissabores, um único tostão. Regressou o pobre Gonçalo Anes Bandarra a Trancoso, onde se agasalhou até à morte, a qual terá ocorrido em 1545, por tal data ter sido mandada lavrar, por D. Álvaro de Abranches, no seu túmulo, do lado da Epístola, na igreja de São Pedro. Lá podem ler:
Aqui jaz Gonçaliannes Bandarra natural desta Vila que profetizou a restauração deste Reino, e que havia de ser no ano de seiscentos e quarenta por el-rei D. João o quarto nosso Senhor, que hoje reina, faleceu na era de mil e quinhentos, e quarenta e cinco. Esta sepultura mandou fazer D. Álvaro de Abranches sendo general da província da Beira, e se acabou governando nela as armas João de Saldanha de Sousa a vinte e oito de Fevereiro de mil seiscentos e quarenta e dois.
Fonte: http://santoscosta.com (Adaptado)
2. Defina os seguintes termos.
- Berço.
- Ignoto.
- Empreitada.
- Finado.
- Prelo.
- Áugure.
- Aboletar.
- Tosador.
- Agasalhar.
3. Responda às perguntas conforme o texto.
- O qué é que significa que o Bandarra "não era sujeito despido de letras"?
- Que facto vem a justificar a alcunha do sapateiro?
- Qual foi a repercusão das Trovas?
- Além de grande popularidade, a divulgação das Trovas causou-lhe também...
- Qual foi a sentença à que o sapateiro foi condenado?
- Resultou toda esta movimentação nalgum lucro para o poeta?
4. No texto aparce a flexão plural do susbtantivo composto cristão-novo. Faça agora o plural dos seguintes substantivos compostos.
- Água-de-colónia.
- Guarda-sol.
- Pisa-papéis.
- Pisca-pisca.
- Alto-forno.
- Passatempo.
- Malmequer.
- Pão-de-ló.
- Mula-sem-cabeça.
- Tenente-coronel.
- Água-marinha.
5. Comente o seguinte trecho.
O verdadeiro patrono do nosso País é esse sapateiro Bandarra. Abandonemos Fátima por Trancoso. Esse humilde sapateiro de Trancoso é um dos mestres da nossa alma nacional, uma das razões de ser da nossa independência, um dos impulsionadores do nosso sentimento imperial. Esse Bandarra é a voz do Povo português, gritando, por cima da defecção dos nobres e dos clérigos, por cima da indiferença dos cautos e dos incautos, a existência sagrada de Portugal.
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