quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

2NI - O Tchiloli de São Tomé e Príncipe

1. Leia o texto com atenção.
Com uma história densa de contornos universais, São Tomé e Príncipe é um mosaico cultural muito rico. A população são-tomense é resultado da miscigenação entre portugueses e nativos oriundos da costa do Golfo da Guiné, Angola, Cabo Verde e Moçambique, assim se explica tal riqueza, bem patente na sua cultura (no folclore, na língua, na dança, na música, no seu ritual e na gastronomia).
Desde o século XVI, uma peça de teatro, o Tchiloli, é encenada na ilha de São Tomé e Príncipe ritmando os tempos fortes do ano: as festas religiosas e as festas civis. A representação dura quase quatro horas. Sendo uma obra atribuída ao poeta cego português Balthasar Dias: "A tragédia do marquês de Mântua e do Imperador Carlos Magno". A peça foi introduzida em São Tomé e Príncipe no fim do século XVI pelos portugueses que vieram implantar a cultura de cana-de-açúcar.
A história desenrola-se durante a época carolíngia e foi trazida sem dúvidas pelos trovadores de origem borgonhesa a partir do século XI em Portugal.
O Tchiloli (nome crioulo da peça) mostra várias personagens históricas: Carlos Magno, seu filho Carloto, o Marquês de Mântua, Balduino, Reinaldo de Montalvão, Rolando. O encadeamento da história é construído em torno de um assassinato que dá lugar a uma longa apologia sobre a justiça. O assassinato acontece durante uma caçada, Marquês de Mântua descobre seu sobrinho Valdevinos, que agoniza. Valdevinos em agonia acusa o príncipe D.Carloto, seu melhor amigo, de o ter morto para lhe roubar a sua esposa, Sibila. Marquês de Mântua envia o duque de Amão e Beltrão a Corte de Carlos Magno para pedir justiça. É então organizado um processo na presença do defunto que é colocado entre as duas famílias. Uma carta encontrada, é levada por um jovem pagem, acabrunha Carloto. Apesar das súplicas da sua mulher, Carlos Magno condena à morte o seu filho na presença do ministro da Justiça. D.Carloto recorre desta decisão com ajuda do seu advogado o conde Anderson mas em vão, Carlos Magno permanece inflexível.
Desde o século XVI que os são-tomenses apropriaram-se desta peça incluindo os seus próprios textos e a sua cultura. Os textos são também improvisados de acordo com a actualidade local. Os fatos e os acessórios são frequentemente contemporâneos: telefone portátil que serve para chamar o advogado, um relógio é utilizado por Carlos Magno que consulta a hora, óculos de sol em plástico são utilizados pelos actores que utilizam também pastas, máquinas de escrever.
A peça põe em cena um processo onde a justiça é feita, quer seja o acusado rico, quer seja o acusado pobre. A presença ainda muito importante desta peça após estes séculos passados pode ser explicada por dois factos essenciais. O primeiro é a visão do poder português em Carlos Magno e um público que se reconhece na pessoa de marquês de Mântua que é injustamente oprimido mas que resiste. O segundo é a representação da vítima que é omnipresente durante a peça que representa o culto dos Africanos para as mortes com a preocupação de honrá-los.
As companhias teatrais, denominadas "Tragédia", que dão as representações de Tchiloli, são constituídas por cerca de trinta pessoas: todos homens que desempenham então os papéis das mulheres. Os papéis são hereditários, cada um dos actores possui o seu papel durante toda a vida e transmite-o aos seus filhos ou afilhados
Fonte: http://www.lusoafrica.net

2. Defina os seguintes termos.
- Miscigenação.
- Encadeamento.
- Caçada.

3. Responda com VERDADEIRO/FALSO justificando as respostas marcadas como sendo falsas.
- A cultura santomense é resultado da coadunação de várias manifestações culturais.
- O Tchiloli é uma obra teatral de recente aparecimento.
- O Tchiloli está estreitamente ligado à vertente sócio-económica do arquipélago.
- O termo Tchiloli tem origem na época carolíngia.
- Os locais adaptaram a estória à realidade local.
- Na peça, o poder colonial é representado pela figura de Carlo Magno.

4. No texto encontramos o particípio irregular morto. Dê 5 exemplos de particípios irregulares e mais outros 5 de particípios duplos.

5. Procure informação sobre as seguintes manifestações culturais são-tomenses, explique-as brevemente e tente encontrar exemplos análogos na sua cultura: USSUA, SOCOPÉ, PUITA e DANÇA-CONGO.
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1NI - Painéis de São Vicente de Fora

1. Leia o texto com atenção.
Obra absolutamente excecional no Portugal quatrocentista, parece não ter tido precedente no panorama pictórico do gótico europeu, nem, tão-pouco, imediata consequência. O seu autor, tudo indica que seja Nuno Gonçalves. A obra de Nuno Gonçalves encontra no Políptico de São Vicente de Fora (c. 1470) - geralmente designado por Painéis de S. Vicente -, um dos momentos exponenciais da pintura quatrocentista portuguesa. Descobertos em 1882 no Mosteiro de S. Vicente de Fora, os Painéis estão atualmente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, dispostos em forma de políptico horizontal que integra sessenta figuras em tamanho quase natural, ocupando toda a superfície de seis tábuas (da esquerda para a direita: painéis ditos dos Frades, dos Pescadores, do Infante, do Arcebispo, dos Cavaleiros e da Relíquia). A identidade dos representados continua a suscitar acesa polémica iconográfica, sendo, no entanto, certo que esta galeria coletiva de retratos procurou plasmar os grandes vultos da corte de D. Afonso V, envolvido no processo das Descobertas marítimas e na expansão no Magrebe. A partir da publicação do livro de José de Figueiredo O Pintor Nuno Gonçalves (1910), que identifica os painéis como a Adoração a S. Vicente, o qual é representado pela dupla figura de diácono que centra as duas tábuas maiores, multiplicam-se as teses respeitantes à iconografia representada. A polémica irá ser, no entanto, sintetizada em torno de duas propostas: a tese vicentina e a fernandina, da autoria de José Saraiva (1925), que identifica a figura central com o Infante Santo D. Fernando. Hoje parece-nos plausível e lógico, quer pela notícia do pintor ter executado uma obra para o altar de S. Vicente da Sé de Lisboa, quer pelas referências a um monumental políptico dedicado a S. Vicente, quer ainda por elementos simbólicos da própria pintura, designar a figura central como sendo S. Vicente. Também importante é o aspeto técnico da pintura aplicada em suporte de madeira, que acusa uma realização plástica vigorosa e segura, não diferindo materialmente das técnicas tradicionalmente utilizadas em Portugal, pouco tendo de comum com as de outras regiões, nomeadamente da Flandres. Nuno Gonçalves, que o quinhentista Francisco de Holanda colocou entre os mais famosos pintores, ao enumerar as Águias da arte da Pintura europeia, consubstanciou nos Painéis uma das mais brilhantes obras da pintura portuguesa de todos os tempos. Apesar das possíveis influências flamengas e italianas que lhe são atribuíveis, perpassa por esta obra uma individualidade própria dos grandes génios, afirmando-se com um carácter específico. Consegue mesmo libertar-se do peso da tradição flamenga reagindo contra a cópia gratuita da arte italiana, pois as sessenta figuras têm uma forma e uma individualização absolutamente surpreendentes - cada um representa um ser humano cuja personalidade se encontra bem definida, dotada de sentimentos próprios, afastando-se assim de uma mera figuração ideal. Retirando da representação pictórica tudo o que tem um carácter eminentemente acessório, centra-se na intensidade de cada personagem, cujo olhar, um pouco distante, transporta para o seu âmago o objeto da própria pintura. No rigor do retrato alia simultaneamente o realismo e o sentimento, numa pintura que se diria silenciosa mas de forma alguma muda. Estamos já em presença de uma obra singularmente avançada em termos pré-renascentistas, que se afasta decididamente dos limites inventivos e estruturais do mundo gótico. A luz detém um papel de molduração escultórica das figuras cuja volumetria as dispõe hierarquicamente em torno da figura central, num jogo absolutamente equilibrado de correspondências e carregado de simbolismo iconográfico.
Obra de cariz devocional, consagra diante do nosso olhar a sociedade portuguesa, na sua vertente sagrada e profana, ao procurar representar amplos setores sociais. Todo este friso de homens obedece a um movimento geral de orientação em direção à figura do santo, mas pelo conjunto perpassa um grau único de coerência, do qual emana equilíbrio, simetria, verticalidade e volume monumental.
Fonte: http://www.infopedia.pt/

2. Defina os seguintes termos e redija uma frase a modo de exemplo.
- Tão-pouco.
- Aceso.
- Vulto.
- Nomeadamente.
- Olhar.
- Perpassar.
- Molduração.
- Afastar.
- Consubstanciar.
- Deter.
- Flandres.

3. Responda com VERDADEIRO/FALSO justificando as respostas marcadas como sendo falsas
- Os painéis de São Vicente são conhecidos desde a sua composição.
- Quem quiser admirar esta genial obra da pintura deverá dirigirse ao Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.
- As figuras ali retratadas são bastante fiéis à realidade.
- Esta obra encontra-se alheia a quaisquer correntes pictóricas.
- Os painéis mostram um conteúdo estritamente religioso.

4. Procure informação sobre alguma obra incontornável da pintura portuguesa e redija um breve texto apresentando-a. Não deixe de incluir nele referèncias ao autor, cronologia e relevancia no contexto nacional.
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2NB - Festa Junina

1. Leia o texto com atenção.
As festas juninas são na sua essência multiculturais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha tido origem nas festas dos santos populares em Portugal: Festa de Santo Antônio, Festa de São João e a Festa de São Pedro e São Paulo principalmente. A música e os instrumentos usados, cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco, etc, estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos para o Brasil pelos povoadores e imigrantes do país irmão. As roupas 'caipiras' ou 'saloias' são uma clara referência ao povo campestre, que povoou principalmente o nordeste do Brasil e muitíssimas semelhanças se podem encontrar no modo de vestir 'caipira' tanto no Brasil como em Portugal. Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais tiveram o seu início em Portugal com as novidades que na época dos descobrimentos os portugueses levavam da Ásia, enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora por exemplo. Embora os balões tenham sido proibidos em muitos lugares do Brasil, eles são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite.
No Brasil, recebeu o nome de junina porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais são oriundas as comunidades de imigrantes, chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.
As grandes mudanças no conceito artístico contemporâneo, acarretam na "adequação e atualização" destas festas, onde rítimos e bandas não tradicionais aos tipicamente vivenciados são acrescentadas as grades e programações de festas regionais, incentivando o maior interesse de novos públicos. Essa tem sido a aposta de vários festejos para agradar a todos, não deixando de lado os costumes juninos, têm-se como exemplo as festas do interior da Bahia, como a de Santo Antônio de Jesus, que apesar da inclusão de novas programações não deixa de lado a cultura nordestina do forró, conhecido como "pé de serra" nos dias de comemoração junina.
A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica e a pamonha.
O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiais acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.
Locais
Estes arraiais são muito comuns em Portugal e não são exclusivos do São João, são parte da tradição popular em geral. Nessas festas podemos encontrar imensas semelhanças tanto no Brasil como em Portugal, mas não só. Na África e na Ásia, Macau, Índia, Malásia, na Comunidade Cristang, os portugueses deixaram essa tradição dos santos populares bem marcada.
Atualmente, os festejos ocorridos em cidades pólos do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo, Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Cachoeira Cruz das Almas, Piritiba e Senhor do Bonfim na Bahia, na Mossoró no Rio Grande do Norte; Maceió em Alagoas; Recife em Pernambuco; Aracaju em Sergipe; Caruaru em Pernambuco; Arcoverde em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará. Além disso, também existem nas pequenas cidades, festas mais tradicionais como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha na Bahia. As duas primeiras cidades disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book, categoria festa country (regional) ao ar livre. Além disso, Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar de maior são joão do mundo.
Fonte: http://pt.wikipedia.org

2. Defina os seguintes termos.
- Cavaquinho.
- Saloio.
- Caipira.
- Encher.
- Canjica.
- Pamonha.
- Galpão.
- Matuto.
- Forró.
- Coqueiro.

3. Responda com VERDADEIRO/FALSO e justifique as respostas assinaladas como sendo falsas.
- As festa juninas constituem uma tradição genuinamente brasileira.
- Os instrumentos utilizados são próprios do folclore português.
- As festas juninas não ficaram alheias a um processo de modernização.
- Estas celebrações têm igual interesse e aceitação em todo o país.
- Estas festas têm lugar em instalações fechadas para se cuidar da intempérie.

4. No texto encontramos a seguinte frase: ...a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses... Nela advertimos a utilização do Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo. Tempo este que se utiliza, preferentemente, para exprimir uma acção acontecida antes do que outra acção do passado. Redija agora, 5 frases utilizando este tempo verbal.

5. Redija um breve texto explicando uma festa ou tradição da sua terra. Seja imaginativo e utilize-se de todos os artifícios linguísticos que tiver ao seu dispor.
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