segunda-feira, 10 de outubro de 2011

2NI - Malangatana

1. Leia o texto com atenção.
Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, no distrito de Marracuene, em Moçambique, no dia 6 de Junho de 1936. Frequentou a Escola da Missão Suíça, em Matalana, onde aprendeu a ler e a escrever em ronga. Encerrada a escola protestante, transita para a da missão católica em Bulázi, onde conclui a terceira classe rudimentar e parte depois para Lourenço Marques, onde arranja emprego como criado de crianças. Foi "apanhador de bolas" e criado de mesa no Clube de Lourenço Marques, frenquentado pela elite colonial.
A partir de 1959, descobertas as suas capacidades artísticas, Malangatana envereda por uma carreira de pintor profissional, com o apoio de Augusto Cabral e do Arqt. Miranda Guedes, que lhe cedeu a garagem para atelier e lhe adquiria dois quadros por mês, para que se pudesse manter. Em 1961, Malangatana realiza a sua 1.ª exposição individual em Lourenço Marques. Torna-se frequentador assíduo do Núcleo de Arte de Lourenço Marques, onde contacta com os artistas da época e onde começa a mostrar os seus trabalhos de cariz eminentemente social.ç
Após o início da luta armada em Moçambique, Malangatana junta-se à rede clandestina da FRELIMO, desenvolvendo actividades que levaram a PIDE a afirmar, mais tarde, que Malangatana servia de cartaz de propaganda política antagónica à linha da administração ultramarina portuguesa, tendo sido preso por duas vezes pela polícia do Estado Novo.
Em 1971, recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para vir para Lisboa especializar-se em gravura. Trabalhou em gravura, na Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses e, em cerâmica, na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego. No mesmo ano, expõe na Livraria Bucholz e na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1973, vai para a Suíça a convite de amigos, onde tem contactos com diferentes galerias e artistas que lhe abrem novos horizontes.
Com a independência de Moçambique, Malangatana envolve-se directamente na actividade política, participando em acções de mobilização e alfabetização, sendo enviado para Nampula com o objectivo de organizar as aldeias comunais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique e convidado a criar o Centro de Estudos Culturais, actual Escola Nacional de Artes Visuais. Procurou manter e dinamizar o Núcleo de Arte e criou os núcleos dos artesãos das zonas verdes de Maputo.
Desenvolveu intensa actividade no âmbito do Grupo Dinamizador do Bairro do Aeroporto, onde residiu, e participou em múltiplas actividades cívicas e sociais. Interveiu na organização da Escolinha dominical "Vamos Brincar", promovida pela UNICEF. Foi um dos criadores do Movimento para a Paz e deputado pela FRELIMO, de 1990 até às primeiras eleições multipartidárias, em 1994, às que não foi candidato. Em 1998, foi eleito pela FRELIMO para a Assembleia Municipal de Maputo e, em 2003, foi nomeado vereador do Município pelo pelouro da Cultura, Desporto e Juventude.
Terminada a guerra civil em 1992, retomou o projecto cultural que impulsionara na sua aldeia de Matalana, surgindo assim a Associação do Centro Cultural de Matalana, de grande valor social e cívico, de que é o actual presidente. Foi membro do júri para os cartões de boas festas da UNICEF, bem como de outros eventos de artes plásticas tanto em Moçambique como no estrangeiro. Foi Vice-Comissário nacional para a área da cultura de Moçambique na EXPO98, em Portugal, e Hannover 2000, na Alemanha.
Em 1996 e 2004, publica dois livros de poemas que reúnem a sua obra poética desde os anos sessenta. O último é ilustrado com vinte e quarto desenhos inéditos. A 6 de Junho de 2006, é homenageado em Matalana por ocasião do seu 70.º aniversário, sendo condecorado pelo Presidente da República de Moçambique com a Ordem Eduardo Mondlane do 1.º Grau, o mais alto galardão do país, em reconhecimento do trabalho desenvolvido não só nas artes plásticas mas também como o grande embaixador da cultura moçambicana. Nessa mesma data foi lançada a Fundação Malangatana Ngwenya, com sede em Matalana, sua terra natal. Em 2007, foi condecorado pelo governo francês com a distinção de Comendador das Artes e Letras. Foi-lhe atribuído o doutoramento "Honoris Causa" pela Universidade Politécnica de Maputo, em 2007, e, em 2010, pela Universidade de Évora.
A sua vida e obra tem sido objecto de vários filmes e documentários, estando representado em vários museus, por todo o mundo, bem como, em inúmeras colecções particulares.
Faleceu a 5 de Janeiro de 2011 no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Portugal.
2. Defina os seguintes termos ou expressões.
- Ronga.
- Terceira classe.
- Elite colonial.
- Atelier.
- Política antagônica.
- Enveredar.
- Vereador.
- Pelouro.
- Júri.
3. Responda com verdadeiro ou falso e justifique as respostas falsas.
- O pintor envolveu-se desde cedo em ambiente de marcado carácter religioso.
- Malangatana conseguiu por si só iniciar-se na vida de pintor.
- O pintor nunca recusou envolver-se em questões políticas.
- O pintor manteve estreita relação com os ambientes acadêmicos.
- Findou na terra que o viu nascer.
4. No texto encontramos o adjectivo preso que é o particípio irregular do verbo prender. Refira, pelo menos, 10 exemplos de verbos com as suas correspondentes formas participiais como se mostra no exemplo abaixo.
Ex: ACENDER: acendido, aceso.
5. Malangatana foi um dos grandes pintores da lusofonia. Conhece algum outro artista deste nível que se tenha destacado no contexto lusófono? Diga qual e explique brevemente as sua biografia e obras.

 
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